Diversas iniciativas mundo a fora buscam emponderar  seus cidadãos através de informação. Projetos como o Software Livre, Creative Commons (direitos autorais abertos) e Dados Abertos (Open Data) têm em comum  a luta pelo acesso livre à informação nos conduzindo a uma sociedade COM conhecimento.

E por que não absorvemos tudo que está a nosso alcance? Por que não utilizamos a tecnologia de forma inteligente? Simplesmente porque somos humanos, limitados e líquidos.

Se formos observar as curvas de desenvolvimento de hardware, software e peopleware, não precisaremos de mais de um milésimo de segundo para constatar que como seres humanos com memória limitada, perdemos feio para a tecnologia. Enquanto o hardware ganha essa parada com mais e mais sofisticação a cada dia, nós continuamos tentando dominar nosso smartphone utilizando por volta de 10% de sua potencialidade. E o que isso significa?

Significa que nossa memória se  liquidifaz rapidamente impactada por tsunamis de novos dados, novas informações e novos conhecimentos.

Desse fenômeno surgiu a ciência do BigData. Era preciso uma tecnologia que fosse capaz de lidar com uma quantidade infinita de dados e pudesse conectar tudo com tudo. E como ficamos nós, seres limitados, diante de tanta complexidade? As pessoas continuarão necessitando interpretar os dados e informação ou seremos completamente substituídos por esgotamento total e absoluta falta de memória para processamento de tanta complexidade?

O sóciólogo polonês Zygmunt Bauman definiu nosso tempo com um tempo líquido, onde tudo se desfaz rapidamente. Bauman diz que estamos cada vez mais conectados, mas existe uma ausência de comprometimento. Sua teoria pode ser melhor conhecida em sua obra “Amor Líquido” – sobre a fragilidade dos laços humanos.  As relações se misturam e se condensam com laços momentâneos, frágeis e volúveis, num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e veloz. Seja real ou virtual.

O mesmo acontece na sociedade que vivemos. Quem se lembra o que aconteceu de grave ontem, dia 15 de março, com tantos fatos novos, tanto bombardeio de informação e contra-informação no dia seguinte? As informações vão se liquidificando e se sobrepondo e ganha na argumentação quem tem uma boa memória e consegue trazer um pouco de luz a tantas discussões vazias.

Há um imediatismo perigoso no ar que está nos impedindo de mergulhar fundo na informação e as conclusões acabam sendo rasas e perigosas, principalmente no topo da pirâmide onde são tomadas as decisões.

Vivemos um paradoxo informacional. Quanto mais informação, menos conhecimento? Talvez sim. Não estamos nos dando tempo para internalizar e processar a informação por ela ser em grande quantidade e muito veloz. E com isso perdemos oportunidade de adquirir novos conhecimentos. Como solidificar esse conhecimento? Como podemos ser uma sociedade de informação sólida e não líquida? Como podemos reter mais informação e ganhar consistência e conteúdo? Buscando aquele tempo que perdemos lá atrás talvez seja uma resposta; ou sendo mais seletivo, menos frenético ou menos ansioso. Qual será o ponto de equilíbrio que nos permitirá usufruir de forma inteligente da sociedade em que vivemos hoje? Alguma sugestão?

Renate Landshoff
Egrégora Inteligência
Consultora em Gestão de Informação Organizacional
Mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital